domingo, 29 de dezembro de 2013

Ano novo de novo

Que venha um ano gostoso! Recheado de coisas boas, perfumado de jasmim manga, com as cores diversas do arco íris... Um ano suntuoso e belo! Promissor, transgressor, libertário, despojado, simples, feliz e harmonioso. Que venha um ano bom! E deixe pra trás as mazelas, firulas, mágoas, inveja, maldade, preconceitos, caretices, mau humor... Que venha à todo vapor! Mas traga brisas amenas, ventos constantes e calmos, para assanhar cabelos, levantar saias, rodar moinhos. Que traga chuvas esparsas para esfriar o calor, molhar os sertões... Não precisam ser tão violentas! Aliás, que qualquer tipo de violência seja banida desse ano bom!
Que venha um ano novo! E que nos renove completamente! Por fora e por dentro. Que nos desnude, e que toda nudez não seja mais castigada. Que possamos decidir sobre nossos corpos e mentes. Sobretudo que possamos fazer nossas próprias escolhas, sonhar nossos sonhos, delirar à vontade... Psicodelizar!
Que esse ano novo gostoso e bom seja repleto de esperança e paz, que sejamos contaminados por uma onda de amores incondicionais, amores possíveis e amores impossíveis. Que essa palavra, impossível, saia do dicionário, nesse ano bom! Que todos, ou pelo menos, quase todos, os nossos desejos sejam realizados. Que sejam banidas das nossa vidas, mentira, egoísmo, falsidade, arrogância... E no mais, muita curtição, viagens, inclusive transcendentais, astrais e etc, além de uma boa dose de perseverança, algumas taças de vinho... E que as mesas, todas! Tenham sempre o pão para ser compartilhado. Que o ano novo seja pelo menos uma partícula de um novo tempo... Do tempo em que o homem será melhor, e o mundo mais justo e generoso!
Nemastê!

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Como eram leves meus desesseis anos...

As vezes, antes de dormir, quando os devaneios cavalgam  carneirinhos brancos, pulando a cerca das lembranças, e trazendo de volta tantos afetos guardados, momentos mágicos, que um dia foram o presente, e que agora são  imagens guardadas nas paredes da memória. Mas que de vez em quando cavalgam carneirinhos brancos e voltam pra nós…
Então fico aqui, debaixo dos lençois, deixando que essas imagens venham suavemente, e que de alguma maneira se materializem diante de mim,  e me envolvam nessa aura translúcida  de juventude e passado,  sensações,  aromas,  lembranças,  memórias,  afetos…
Me lembro dos meus desesseis, carregados nas costas,  espalhados na mochila, fluindo pelos póros… Como eram leves! Como eram livres, meus desesseis anos…
Andarilhava pela imensidão das praias do sul da bahia. tão vazias, tão lindas… Ao lado de amigos, jovens e belos e livres como eu. Buscávamos nada mais que não fosse,  viver o momento. Aquele momento e pronto!
Não queríamos  mais nada, além de sonhar,  amar,  e viajar para dentro de nós mesmos, ao som de Pink Floyd, Rolling Stones, Mutantes, Novos Baianos… Atrás de paz, talvez! Pois a espada da rebeldia, da inquietude, dos questionamentos, das  transgressões… pairavam sobre nossas cabeças,  ávidos por sangue novo!
Paz e espada viviam à nossa espreita…
Mas como eram leves em minhas costas,  aqueles desesseis anos… De sonhos, delírios,  amores, paz, rebeldia, liberdade, cigarros e som, muito som…
Ainda sonho, e acredito nos delírios e na rebeldia. Mesmo que os anos já não me sejam mais tão leves…  São ainda livres! Livres!

Tempo, ah! Esse tempo...

Esse tempo que não me pertence, mas pesa em meus ombros, me aperta a garganta, me esmaga o estômago, deixa em minha boca um gosto de não sei o quê... É o mesmo tempo que me fazia esquecer tudo, passava por mim devagar, silencioso, imperceptível, quase mudo, enquanto eu brincava de voar como borboletas no quintal.
É o mesmo tempo que embalava minha rede por horas a fio, compreensivo, misterioso, sem pressa, e dava um ar de eternidade a minha infância distante, agora quase perdida no emaranhado da minha memória que se esvai.
Esse tempo, senhor tão bonito, constante, inflexível, implacável, traiçoeiro... Agora me deixa sorve-lo apenas em goles pequenos , quase homeopáticos. Por vezes se descortina, se desnuda todo faceiro, enquanto durmo um sono leve e efêmero.  E no dia seguinte me olha com desdém, como quem diz: Aproveite, pois escorro-lhe pelos dedos, não pertenço a ti nem a ninguém senão a mim mesmo.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Liberdade, liberdade...




As pessoas querem liberdade, ainda que seja para mira-la através de vidros blindados. Querem democracia, mesmo que não saibam escolher quem as represente, querem presentes, querem propinas, querem aquilo que não têm, e querem cada vez mais aquilo que já possuem. As pessoas querem o direito de ir e vir mesmo que carreguem algemas nos pés, querem voar de asas partidas... Querem voz, ainda  que não sejam ouvidas, querem casa e comida, pão e circo. Querem correr o risco! As pessoas querem saúde, educação, dignidade, respeito! Querem bater no peito e dizer " sou free", as pessoas não querem sofrer, não querem seus filhos fumando pedra, não querem pedras em seus sapatos, não querem ratos roubando seu queijo, não querem malfazejos nem almas sebosas à espreita nas esquinas, não querem suas meninas e meninos sendo prostituídos, não querem seus mares e rios poluídos, nem suas casas inundadas, suas vidraças quebradas, nem suas vidas ameaçadas. As pessoas não querem suas fronteiras invadidas, sua cultura adulterada. As pessoas querem vergonha na cara! Querem mudanças, e danças e música, arte, balé... Querem Aché, Santeria, Candomblé, Cristo, Buda, Maomé! Querem fé e querem festa, querem mel e querem mais! Mais opções de trabalho e melhores salários, mais escolas e melhores escolhas, mais hospitais e menos doentes, mais penitenciárias e menos deliquentes, mais espectativas de vida e menos mortalidade infantil. Mais estradas e mais sonhos... Mais utopia, para continuarem caminhando!

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Ano novo vida nova?


Quando começa um novo ano, estamos cheios de planos, perspectivas...
O leque de sonhos é vasto... E a sensação de ter fechado uma Gestalt, é bem forte e visivel.
Deixamos para trás compromissos desnecessários, mágoas, ressentimentos, fraquezas... Tudo que nos foi pesado  e negativo será enterrado com o ano velho, e a esperança de paz, amor, luz, novos sonhos, recomeço, e muitos caminhos a serem percorridos invadem nossos corações e mentes. E estamos prontos pra renascer, como Fênix, das cinzas, que deixaremos que o vento leve.
Hoje, consultando o Oráculo das Runas, foi lançada uma pedra que dizia o seguinte: "Tudo começa em você. E só com um relacionamento correto consigo mesmo, você conseguirá compreender o mundo e as pessoas que o cercam. Mantenha-se aberto para as influências que vêm de fora, e de dentro. Este é o momento de atingir o crescimento que precede o progresso. Não é hora de buscar elogios pelo que já foi feito. Mas sim de cumprir suas tarefas com dedicação."  Espero que essa Runa, chamada Mannaz, o eu  (mantenha a modéstia) sirva também pra você, e seja um toque nesse ano que se inicia.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Saudades de Alfredo

(Tenho vindo muito aqui nos últimos tempos pra falar de morte, saudade, lembranças, memórias afetivas...
As duas últimas postagens são uma homenagem pra duas pessoas distintas, que sempre me faziam lembrar uma da outra pela data do aniversário. E agora me farão lembrar uma da outra pela data das suas jornadas rumo ao desconhecido. Tia Julia e Alfredo, duas pessoas tão queridas... Partiram...)
                                   

                                   
Ao som de killing my sofling, lá pelos idos de 73, 74, conheci um cara invocado, baixinho, óculos fundo de garrafa, cabeludo, roupas desleixadas, jeitão despojado... Mas um papo incrível, inteligente, cheio de tiradas e um humor inconfundível. Meio louco, meio rebelde, um tanto transgressor, sem papas na língua e um coração imenso e belo. Um homem especial! Esse era Alfredo. Meu namorado de adolescência, meu grande amor, incondicional e platônico,  pela vida inteira.
Fui cúmplice do seu casamento com Regina , fui madrinha mesmo sem nunca ter batizado nenhum de seus filhos,  fui sua grande amiga mesmo sempre distante, e ainda,  Deus me deu a oportunidade de compartilhar da sua despedida rumo a grande jornada de volta ao pó das estrelas, aquela pra qual todos nós iremos um dia, a única coisa na vida que temos certeza absoluta!
Alfredo, meu querido, marcou a vida de cada um que teve o prazer e o privilégio de conhece-lo.
Foi realmente uma grande figura, e com certeza teve um lugar especial reservado para esse momento; em algum ponto do universo. Em algum ponto do universo ele continua sorrindo e brilhando.
Alfredo viveu a vida intensamente, experimentou o que teve vontade, desafiou seus limites, desfilou na corda bamba. Foi um personagem intenso do seu próprio filme, e aquele charme de chapéu panamá... Ele pagou uma conta alta, uma conta que chegou muito cedo. É o que acontece quando somos demasiadamente ousados, nossos exageros custam tão caro... Mas valeu amigo! Sua efêmera mas intensa passagem por esse planeta  tocou nossas vidas de alguma forma.muito especial. Obrigada por ter exisitido, obrigada pelo presente!

KILLING ME SOFTLY
by Roberta Flack

Strumming my pain with his fingers,
Singing my life with his words,
Killing me softly with his song,
Killing me softly with his song,
Telling my whole life with his words,
Killing me softly, with his song.

I heard he sang a good song.
I heard he had a style.
And so I came to see him,
To listen for a while.
And there he was, this young boy,
A stranger to my eyes.

Strumming my pain with his fingers,
Singing my life with his words,
Killing me softly with his song,
Killing me softly with his song,
Telling my whole life with his words,
Killing me softly, with his song.

I felt all flushed with fever,
Embarrassed by the crowd.
I felt he found my letters,
And read each one out loud.
I prayed that he would finish,
But he just kept right on.

Strumming my pain with his fingers,
Singing my life with his words,
Killing me softly with his song,
Killing me softly with his song,
Telling my whole life with his words,
Killing me softly, with his song.

He sang as if he knew me
In all my dark despair.
And then he looked right through me
As if I wasn't there.
And he just kept on singing,
Singing clear and strong.

Strumming my pain with his fingers,
Singing my life with his words,
Killing me softly with his song,
Killing me softly with his song,
Telling my whole life with his words,
Killing me softly, with his song.